2025-02-03

A Fala Curinga – Objetividade e Subjetividade presente no ato da fala

 

 

Antes de iniciar o presente artigo, gostaria de iniciar com a explicação da escolha do termo coringa e do porquê sua presença no título.

“Curinga (português brasileiro) ou jóquer[1] (português europeu), também conhecido como coringa ou melé em algumas regiões, é a carta do baralho que, em certos jogos, muda de valor conforme a combinação de cartas que o jogador tem em mãos”. e esse é exatamente o papel da fala, quando tentamos caracterizar em relação à sua objetividade / subjetividade.

Para facilitar a compreensão do alegado, é importante deixar claro o significado do termo objetividade/ subjetividade estou utilizando, uma vez que se esse conceito não estiver claro e presente na mente do leitor, o artigo será incompreensível.

Logo a objetividade é o comportamento exterior observável e a subjetividade todo processo mental do indivíduo. Isto é, a objetividade é o individuo faz, e a subjetividade é o que o individuo sente, pensa, deseja etc.

De modos gerais, a fala é uma ação objetiva com intuito de transferir uma subjetividade. Isto é. Uma ideia, fato, informação, através da fala é transferida a um ouvinte; é uma forma de compartilhar uma subjetividade.

Justamente por esse caráter duplo, por ser a ponte entre os mundos da objetividade e subjetividade, é meio difícil definir se a fala tem caráter objetivo ou subjetivo.

Mas então, a fala é objetividade ou subjetividade? A fala é um coringa. Obviamente o contexto deve ser analisado para poder aferir tal fato.

Por exemplo, a fala pode descrever uma ação, por exemplo. “O homem está varrendo o chão.” Essa fala é objetiva, pois está descrevendo uma ação. “O homem está feliz”. Essa fala é subjetiva pois está descrevendo uma ação subjetiva. Aliás, a única forma da subjetividade ser objetiva é através da fala.

E seu caráter “curringuesco” não para por aí. Ela pode descrever um sentimento, e esse ser inexistente. Ela pode descrever uma ação, e essa ação ser inexistente. A fala descreve a objetividade, a subjetividade e a não objetividade e a não subjetividade.

O exemplo é claro, quando estou em casa, e digo que estou em um vôo em viagem, isto é uma mentira, estou descrevendo algo que justamente não é objetivo.

Normalmente, em regimes autoritários defendem considerar fala de forma objetiva. Quando a verdade é imposta por um governo, ou um grupo que está no poder, é fundamente que a fala seja tratada de forma objetiva, isto é, que a fala seja equivalente a uma agressão ou “ataque”.

Isso é, a motivação da pessoa, a subjetividade do falante não é considerada, mas a fala é tratada de forma objetiva. Melhor dizendo, a subjetividade do falante é imposta, ou se assume que a pessoa pensa de uma forma, com base em elementos objetivos puros.

Algo que está em moda atualmente no contexto ditatorial que estamos vivendo. Logo se for falado o termo “denegrir” no sentido de contrário de elogiar, exaltar, por ser considerado um termo racista, indica que quem o usa pensa que certas raças são inferiores às outras e merecem ter menos direitos, ou tratamento desigual.

Perceba, o simples uso do termo, por ser um termo negativo e estar associada à cor negra, que é o nome da raça dos descendentes do povo africano cuja pele de fato é marrom, não negra ou preta, faz com que seu usuário seja autorizado a ser reprimido porque pensar certas coisas é proibido.

O que se discute aqui não é o direito de pensar mas sim o direito de reprimir. Quer forma maior de opressão que afirmar que vc pensa algo que não tem como vc provar o contrário, simplesmente porque ninguém tem a acesso ao que o outro pensa. Mal temos acesso ao que nós pensamos. Desde 1900, já sabemos através de Freud, que nossa mente tem uma parte consciente (isto é temos acesso) e outro inconsciente (que se chama assim, porque justamente, não temos ideia do que passa lá). As vezes o que está lá, escapa através do ato falho, mas é tão escondido que está presente na nossa objetividade, e não na nossa subjetividade.

Quem será que oprimindo quem quando se chama alguém de racista? Quando alguém percebe “Racismo Estrutural”, está na estrutura de quem exatamente? Quando Pedro fala o que Paulo sente, sabemos muito mais o Pedro sente, do que de fato, o que Paulo sente.

 

 

 

 

 


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