A Fala Curinga – Objetividade e Subjetividade presente no ato da fala
Antes de iniciar o presente artigo, gostaria de iniciar com a
explicação da escolha do termo coringa e do porquê sua presença no título.
“Curinga (português
brasileiro) ou jóquer[1] (português
europeu), também conhecido como coringa ou melé em
algumas regiões, é a carta do baralho que, em certos jogos, muda de
valor conforme a combinação de cartas que o jogador tem em mãos”. e esse é
exatamente o papel da fala, quando tentamos caracterizar em relação à sua
objetividade / subjetividade.
Para facilitar a compreensão do alegado, é importante deixar claro
o significado do termo objetividade/ subjetividade estou utilizando, uma vez
que se esse conceito não estiver claro e presente na mente do leitor, o artigo
será incompreensível.
Logo a objetividade é o comportamento exterior observável
e a subjetividade todo processo mental do indivíduo. Isto é, a
objetividade é o individuo faz, e a subjetividade é o que o individuo sente,
pensa, deseja etc.
De modos gerais, a fala é uma ação objetiva com intuito de
transferir uma subjetividade. Isto é. Uma ideia, fato, informação, através da
fala é transferida a um ouvinte; é uma forma de compartilhar uma subjetividade.
Justamente por esse caráter duplo, por ser a ponte entre os mundos
da objetividade e subjetividade, é meio difícil definir se a fala tem caráter
objetivo ou subjetivo.
Mas então, a fala é objetividade ou subjetividade? A fala é um
coringa. Obviamente o contexto deve ser analisado para poder aferir tal fato.
Por exemplo, a fala pode descrever uma ação, por exemplo. “O homem
está varrendo o chão.” Essa fala é objetiva, pois está descrevendo uma ação. “O
homem está feliz”. Essa fala é subjetiva pois está descrevendo uma ação
subjetiva. Aliás, a única forma da subjetividade ser objetiva é através da
fala.
E seu caráter “curringuesco” não para por aí. Ela pode descrever
um sentimento, e esse ser inexistente. Ela pode descrever uma ação, e essa ação
ser inexistente. A fala descreve a objetividade, a subjetividade e a não
objetividade e a não subjetividade.
O exemplo é claro, quando estou em casa, e digo que estou em um
vôo em viagem, isto é uma mentira, estou descrevendo algo que justamente não é
objetivo.
Normalmente, em regimes autoritários defendem considerar fala de
forma objetiva. Quando a verdade é imposta por um governo, ou um grupo que está
no poder, é fundamente que a fala seja tratada de forma objetiva, isto é, que a
fala seja equivalente a uma agressão ou “ataque”.
Isso é, a motivação da pessoa, a subjetividade do falante não é
considerada, mas a fala é tratada de forma objetiva. Melhor dizendo, a
subjetividade do falante é imposta, ou se assume que a pessoa pensa de uma
forma, com base em elementos objetivos puros.
Algo que está em moda atualmente no contexto ditatorial que
estamos vivendo. Logo se for falado o termo “denegrir” no sentido de contrário
de elogiar, exaltar, por ser considerado um termo racista, indica que quem o
usa pensa que certas raças são inferiores às outras e merecem ter menos
direitos, ou tratamento desigual.
Perceba, o simples uso do termo, por ser um termo negativo e estar
associada à cor negra, que é o nome da raça dos descendentes do povo africano
cuja pele de fato é marrom, não negra ou preta, faz com que seu usuário seja
autorizado a ser reprimido porque pensar certas coisas é proibido.
O que se discute aqui não é o direito de pensar mas sim o direito
de reprimir. Quer forma maior de opressão que afirmar que vc pensa algo que não
tem como vc provar o contrário, simplesmente porque ninguém tem a acesso ao que
o outro pensa. Mal temos acesso ao que nós pensamos. Desde 1900, já sabemos
através de Freud, que nossa mente tem uma parte consciente (isto é temos
acesso) e outro inconsciente (que se chama assim, porque justamente, não temos ideia
do que passa lá). As vezes o que está lá, escapa através do ato falho, mas é
tão escondido que está presente na nossa objetividade, e não na nossa
subjetividade.
Quem será que oprimindo quem quando se chama alguém de racista?
Quando alguém percebe “Racismo Estrutural”, está na estrutura de quem
exatamente? Quando Pedro fala o que Paulo sente, sabemos muito mais o Pedro
sente, do que de fato, o que Paulo sente.
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